ArtigosDesafios do Gir Leiteiro no mercado mundial de Genética
O Gir é a raça zebuína brasileira com maior percentual de participação nas exportações nacionais de sêmen. Em 2006, esse número alcançou o total de 104.774 doses, exportadas principalmente para Colômbia, Equador, Venezuela e Uruguai. Cerca de 85% desse total correspondem ao material genético da raça.
Um dos principais fatores que contribuem para a vanguarda do Gir Leiteiro no mercado externo é a preocupação dos criadores da raça em trabalhar com dados claros de performance através dos PTA´s. Isso garante a qualidade do que se vende, pois o criador pode utilizar dados reais de melhoramento genético em seu rebanho, dando credibilidade ao produto ofertado. As raças taurinas já trabalham há bastante tempo com dados reais de performance a predictibilidade destes fatores, ou seja, para vender lá fora, além da qualidade tem que ter informação genealógica mensurável.
Outro aspecto que favorece essa expansão é a preocupação com os custos da produção em um ambiente global de diminuição da disponibilidade de grãos para alimentação de animais, sendo estes convertidos a partir de agora, em sua maioria, para a produção de energia. Dentro em breve, países de clima temperado sofrerão dificuldades em manter os custos com alimentos concentrados, o que deve colaborar ainda mais para a procura por um animal que priorize a produção a pasto, mais econômica e em equilíbrio com o meio ambiente.
A raça tem representado crescimento significativo para os países andinos como Colômbia, Equador e Venezuela. O consórcio de exportação Brazilian Cattle tem comprovado o interesse desses países nas feiras em que participa. Os números de visitantes internacionais da ExpoZebu também são concentrados nesses mesmos países, trazendo cada vez mais técnicos para treinamento no Brasil, além de estudantes de Zootecnia e Medicina Veterinária da Comunidade Andina e Mercosul. Grande parte está interessada em conhecer o Gir Leiteiro em suas condições reais de manejo a pasto.
Cada chinês a mais consumindo leite também irá favorecer o zebu no Brasil.
Especialistas acreditam que o crescente consumo de lácteos na China tende a manter os preços internacionais me patamares acima dos observados nos últimos anos. O leite tem hoje um papel fundamental na questão da segurança alimentar dos países. Auto – suficiência na produção é para poucos, como é o caso do Brasil, mais ainda consumimos muito pouco leite se comparado a países europeus.
Estagnado há anos na casa dos 120 litros, o consumo brasileiro poderia atingir facilmente os 200 litros por habitante com estabilidade no setor e planejamento.
O desafio da raça está em oferecer animais em quantidade para demanda que se espera para os próximos anos. À medida que avançarem os protocolos sanitários para animais vivos para China, América Central, México e África do Sul iremos observar uma forte procura por vacas e novilhas.
A Colômbia tem um plano de até 2018 dobrar o rebanho atual de 24 milhões de cabeças. A Venezuela tem se mostrado forte importador recente e tende a ampliar também planos de repovoamento do rebanho nacional. Nenhum plano de reestruturação para o continente africano passará sem um projeto pecuário, seja em Angola, Senegal ou Cabo Verde. É mais mercado para o zebu brasileiro, já que na África vemos mais semelhança que diferenças com as condições brasileiras de clima, solos e temperatura.
